Pular para o conteúdo principal

O inverno é o inferno

Se a beleza é relativa, o que garante que o sangue que faz meus olhos brilharem — aquele que torna meu ser mais vivo — contém uma beleza real? Mesmo que requintada, mesmo que eu a aprecie sozinho... Ela é verdadeiramente linda, como eu imagino?

Posso estar cego. Eu sei que estou cego. Não consigo entender o mundo, não o vejo da maneira que deveria. Sua essência e aquela que sinto ser sua essência são coisas diferentes, fora do meu controle. Eu não posso continuar brincando comigo. Terei que jogar a boneca fora.

Devo enforcá-la, ou fazê-la ter uma overdose? Devo arremessar o brinquedo na rua ou de uma ponte? Como eu me livro dessa maldita boneca desgraçada, que todos preferem que esteja morta, pois é mais fácil esquecer a lidar com o problema?

Mas a boneca nunca vai embora, não é? Eu sempre a mantenho guardada aqui por medo de precisar dela um dia. Mesmo odiando a boneca, mesmo odiando ela, mesmo eu me odiando... ainda estou aqui.

Se eu realmente quisesse, eu poderia lidar com isso. Mas prefiro dormir, prefiro esquecer o que é viver do que confrontar o mundo. Enxergar a essência dele não é tão ruim assim. Ainda existe uma beleza para encontrar.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Delicado

 Delicado como uma pétala de flor. Meu amor é jovem, delicado, quebradiço. Você não é frágil, mas delicado com as palavras. Elas me tocam, por dentro e por fora, fazem cócegas, me adoram e eu as adoro.  Um suspiro, talvez dois, então você vai embora. É tão delicado, suas mãos tocam meu rosto sem estarmos perto um do outro. Delicado, eu o beijo em meus pensamentos, sinto-o me envolver em abraços acolhedores, e a tempestade vai embora. Estamos sozinhos. Juntos , mas sozinhos. Delicados são meus sorrisos quando penso em você. O coração anseia, o rosto queima, eu sinto que posso morrer. Caio sobre nuvens e flutuo por céus escuros, vagando por um vasto mundo. Eu contemplo tudo: delicado . A vida é frágil, podendo ser rude, bruta, mas ainda é bela. Então dançamos juntos, a noite toda na passarela. Suas mãos exploram minha cintura, e eu o ataco com os lábios meus.  Um suspiro, talvez dois, e repetimos outra vez. Delicado; este mapa mental, tão bagunçado, desorganizado, levou-me...