Pular para o conteúdo principal

Dias empoeirados

Suas lágrimas não significavam nada além de dor. Era um sofrimento contínuo resguardado no fundo do peito, soterrado por memórias tortuosas e dias apagados pelo tempo, porém não foram esquecidos. Essa leve camada de poeira indicava a visita interrompida, mas o vazio crescente não sentia falta do som atordoante dos risos tímidos e gargalhadas escandalosas. 

O tempo fez o que devia ser feito. Empurrou para longe a dor, porém não agiu como anestésico. O tempo não cura, e ele pôde entender isto anos depois quando era tarde demais. Aquela camada grossa de poeira não foi suficiente para fazê-lo esquecer.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O inverno é o inferno

Se a beleza é relativa, o que garante que o sangue que faz meus olhos brilharem  — aquele que torna meu ser mais vivo  — contém uma beleza real? Mesmo que requintada, mesmo que eu a aprecie sozinho... Ela é verdadeiramente linda, como eu imagino? Posso estar cego. Eu sei  que estou cego. Não consigo entender o mundo, não o vejo da maneira que deveria. Sua essência e aquela que sinto ser sua essência são coisas diferentes, fora do meu controle. Eu não posso continuar brincando comigo. Terei que jogar a boneca fora. Devo enforcá-la, ou fazê-la ter uma overdose? Devo arremessar o brinquedo na rua ou de uma ponte? Como eu me livro dessa maldita boneca desgraçada , que todos preferem que esteja morta, pois é mais fácil esquecer a lidar com o problema? Mas a boneca nunca vai embora, não é? Eu sempre a mantenho guardada aqui por medo de precisar dela um dia. Mesmo odiando a boneca, mesmo odiando ela , mesmo eu me  odiando... ainda estou aqui. Se eu realmente quisesse, eu po...