Pular para o conteúdo principal

Liberdade

Todos os meus desejos se esvaem como lágrimas de meus olhos, e as correntes se prendem aos braços e tornozelos mais uma vez. A liberdade que um dia me pertencera está partindo. Eu estou preso em um ciclo vicioso, mas não posso evitar te perdoar de novo.

Os gritos se resumem a malabarismos oratórios. Tuas palavras ainda me atingem como se fosse a primeira vez, e eu te vejo diante de mim, naquele palco endeusado por todos, anunciando meus pecados. Temo pela minha vida, ainda preso naquelas correntes, eu temo e tremo, desejando me esconder debaixo de cobertores para me proteger dos monstros da noite.

Mas talvez você esteja certo, talvez eu esteja a fadado a ser apenas isso. Somente um rato insignificante que se esconde atrás de palavras em uma tela, uma sopa do alfabeto, tentando formar significados por trás de cada letra, mas incapaz de decifrar as próprias emoções ainda que elas sejam tão óbvias. Talvez você tenha a certeza nas tuas falas, porque sempre esteve no controle no fim das contas, e eu tenha sido apenas a marionete no seu show de horrores, movido a cordas. 

Eu me sinto preso a você e não sei como escapar.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Delicado

 Delicado como uma pétala de flor. Meu amor é jovem, delicado, quebradiço. Você não é frágil, mas delicado com as palavras. Elas me tocam, por dentro e por fora, fazem cócegas, me adoram e eu as adoro.  Um suspiro, talvez dois, então você vai embora. É tão delicado, suas mãos tocam meu rosto sem estarmos perto um do outro. Delicado, eu o beijo em meus pensamentos, sinto-o me envolver em abraços acolhedores, e a tempestade vai embora. Estamos sozinhos. Juntos , mas sozinhos. Delicados são meus sorrisos quando penso em você. O coração anseia, o rosto queima, eu sinto que posso morrer. Caio sobre nuvens e flutuo por céus escuros, vagando por um vasto mundo. Eu contemplo tudo: delicado . A vida é frágil, podendo ser rude, bruta, mas ainda é bela. Então dançamos juntos, a noite toda na passarela. Suas mãos exploram minha cintura, e eu o ataco com os lábios meus.  Um suspiro, talvez dois, e repetimos outra vez. Delicado; este mapa mental, tão bagunçado, desorganizado, levou-me...

O inverno é o inferno

Se a beleza é relativa, o que garante que o sangue que faz meus olhos brilharem  — aquele que torna meu ser mais vivo  — contém uma beleza real? Mesmo que requintada, mesmo que eu a aprecie sozinho... Ela é verdadeiramente linda, como eu imagino? Posso estar cego. Eu sei  que estou cego. Não consigo entender o mundo, não o vejo da maneira que deveria. Sua essência e aquela que sinto ser sua essência são coisas diferentes, fora do meu controle. Eu não posso continuar brincando comigo. Terei que jogar a boneca fora. Devo enforcá-la, ou fazê-la ter uma overdose? Devo arremessar o brinquedo na rua ou de uma ponte? Como eu me livro dessa maldita boneca desgraçada , que todos preferem que esteja morta, pois é mais fácil esquecer a lidar com o problema? Mas a boneca nunca vai embora, não é? Eu sempre a mantenho guardada aqui por medo de precisar dela um dia. Mesmo odiando a boneca, mesmo odiando ela , mesmo eu me  odiando... ainda estou aqui. Se eu realmente quisesse, eu po...