Pular para o conteúdo principal

Eu sei de muitas coisas

Eu vi coisas

Por isso arranquei meus olhos.

Eu ouvi coisas

Por isso cortei minhas orelhas.

Eu senti coisas,

Então queimei meu corpo 

Nas chamas da minha ira

E meu sofrimento se apagou nas cinzas.

Em meio à sujeira,

Me reconstruí.

Me ergui das cinzas, trouxe o fogo de volta

Para lutar contra o inverno que me oprimia.

Aquele inferno sentimental. 


Eu vi coisas, ouvi coisas, senti coisas

Sozinho. Com eles, 

Talvez comigo,

Mas sozinho.

Nunca sozinho.

Solitário talvez,

Mas sozinho jamais.


Eu corri do meu conhecimento 

Ceguei meus olhos,

Tampei minhas orelhas

E me isolei do mundo

Para fugir de mim.

Eu estava sozinho — solitário e sozinho,

Porém cá estou eu com vocês outra vez. 

Espero que possamos trabalhar juntos agora.

Dê-me suas mãos que eu entrego minha alma,

Assim iremos levantar nossa morada

Juntos. Jamais sozinhos.

Nunca sozinhos.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Delicado

 Delicado como uma pétala de flor. Meu amor é jovem, delicado, quebradiço. Você não é frágil, mas delicado com as palavras. Elas me tocam, por dentro e por fora, fazem cócegas, me adoram e eu as adoro.  Um suspiro, talvez dois, então você vai embora. É tão delicado, suas mãos tocam meu rosto sem estarmos perto um do outro. Delicado, eu o beijo em meus pensamentos, sinto-o me envolver em abraços acolhedores, e a tempestade vai embora. Estamos sozinhos. Juntos , mas sozinhos. Delicados são meus sorrisos quando penso em você. O coração anseia, o rosto queima, eu sinto que posso morrer. Caio sobre nuvens e flutuo por céus escuros, vagando por um vasto mundo. Eu contemplo tudo: delicado . A vida é frágil, podendo ser rude, bruta, mas ainda é bela. Então dançamos juntos, a noite toda na passarela. Suas mãos exploram minha cintura, e eu o ataco com os lábios meus.  Um suspiro, talvez dois, e repetimos outra vez. Delicado; este mapa mental, tão bagunçado, desorganizado, levou-me...

O inverno é o inferno

Se a beleza é relativa, o que garante que o sangue que faz meus olhos brilharem  — aquele que torna meu ser mais vivo  — contém uma beleza real? Mesmo que requintada, mesmo que eu a aprecie sozinho... Ela é verdadeiramente linda, como eu imagino? Posso estar cego. Eu sei  que estou cego. Não consigo entender o mundo, não o vejo da maneira que deveria. Sua essência e aquela que sinto ser sua essência são coisas diferentes, fora do meu controle. Eu não posso continuar brincando comigo. Terei que jogar a boneca fora. Devo enforcá-la, ou fazê-la ter uma overdose? Devo arremessar o brinquedo na rua ou de uma ponte? Como eu me livro dessa maldita boneca desgraçada , que todos preferem que esteja morta, pois é mais fácil esquecer a lidar com o problema? Mas a boneca nunca vai embora, não é? Eu sempre a mantenho guardada aqui por medo de precisar dela um dia. Mesmo odiando a boneca, mesmo odiando ela , mesmo eu me  odiando... ainda estou aqui. Se eu realmente quisesse, eu po...