Pular para o conteúdo principal

Calor

O tique-taque do relógio acompanha meu coração

Juntos, eles caminham em direção ao vazio

Um passeio breve, sem sentido

Mas significa tanto para mim

Parece anular o frio

Nas minhas mãos. 


O calor há muito tempo não é retido nelas

Desliza de um corpo para o outro

Me parte e desapega

Mas cá estamos, nesse caminho sem volta

Retornando para o desconhecido

Prestes a bater em sua porta.


E o coração partido

Foi reconstruído

Pelo vazio que anula

O frio que reside minha alma.


Você me aquece

E sequer sabe disso.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O inverno é o inferno

Se a beleza é relativa, o que garante que o sangue que faz meus olhos brilharem  — aquele que torna meu ser mais vivo  — contém uma beleza real? Mesmo que requintada, mesmo que eu a aprecie sozinho... Ela é verdadeiramente linda, como eu imagino? Posso estar cego. Eu sei  que estou cego. Não consigo entender o mundo, não o vejo da maneira que deveria. Sua essência e aquela que sinto ser sua essência são coisas diferentes, fora do meu controle. Eu não posso continuar brincando comigo. Terei que jogar a boneca fora. Devo enforcá-la, ou fazê-la ter uma overdose? Devo arremessar o brinquedo na rua ou de uma ponte? Como eu me livro dessa maldita boneca desgraçada , que todos preferem que esteja morta, pois é mais fácil esquecer a lidar com o problema? Mas a boneca nunca vai embora, não é? Eu sempre a mantenho guardada aqui por medo de precisar dela um dia. Mesmo odiando a boneca, mesmo odiando ela , mesmo eu me  odiando... ainda estou aqui. Se eu realmente quisesse, eu po...