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Perdição

 Os céus podem cair ao nosso redor,

O mundo ser destruído 

E a água inundar tudo.

Estarei bem aqui,

Esperando para encontrar

O mar extenso em seus olhos

E me afogar nas águas escuras.


A plateia aplaude quando seu show termina.

Pessoas assoviam e gritam seu nome

Enquanto você distraidamente se afasta.

As cortinas do palco fecham,

As luzes apagam conforme você passa por elas,

Os olhos curiosos rolam em sua direção, 

Acompanhando a movimentação de seus membros,

Estudando-o.


Reflexos ecoando feito memórias, 

Indo e vindo, ora ou outra.

Meus pés castigam o tapete peluciado e macio,

Eu rio com o acariar dos pelos entre os dedos.

A cama perfeitamente arrumada,

Esperando para me matar em seus cobertores.

Eu vejo


"Mantenha uma distância mínima", 

Seus olhos dizem no silêncio. 

Garras arranhando seu rosto delicado,

Arrancando a pele e expondo uma beleza externa.

O vermelho viscoso escorre pelas laterais,

Gotejando no chão em declaração de independência. 

"Eu não aguento


Entre os dedos, no tapete, 

Eu vejo apenas 

vermelho.

Nas paredes, nos cobertores, 

Ouço sua voz abafada pelo meu coração.

Um som doce repetindo e sumindo.

Me pergunto para onde está indo.


"Mantenha-se por perto". 

As garras deslizam na máscara perfeita de seu rosto,

Pele macia e cuidada,

Agora parece uma massa estragada, toda enrugada.

Grotesca, a voz diz por baixo dos seus gritos,

"Eu não aguento


Eu vejo apenas 

vermelho. 

Respingado nas paredes, entre os dedos,

Manchando as garras que movimentam-se depressa,

Perfurando os olhos azuis e os arrancando. 

Eu não aguento mais.


Queria um mergulho no mar profundo e escuro.

Os aplausos não ecoam como antes.

Memórias foram destruídas, 

Meus filmes preferidos estão perdidos.

Eu me pergunto para onde vou.


As cortinas fecham, as luzes apagam,

O sangue rasteja pela pele macia,

Mas indesejada, ainda presa debaixo das unhas.

O cobertor pinta o chão com escarlate,

Seus gritos ainda estão atraindo atenção. 

"Mantenha uma distância mínima".

Mantenha-se por perto. 

Eu não aguento mais um dia.


As garras perfuram a garganta,

Dividindo-a e distanciando os lados.

Eu não aguento mais um dia. 

Antes se mantivesse por perto.

Antes não tivesse me roubado.

Cortinas abriam-se, luzes acendiam,

Aplausos ecoam por baixo de gritos grotescos.

Eu vejo apenas minha perdição. 

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