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O Inverno e meu Inferno

Tive mais recaídas e fiz mais cortes superficiais no meu braço esquerdo. Eu quero mais deste sentimento perigoso. Quero ver o sangue acumulado nas linhas finas virar bolhas para então serem escondidas do mundo. A emoção sufocante que acompanha o medo de ser pego, o desespero que alimenta a pressão da lâmina contra minha pele e as lágrimas impactantes rolando por meu rosto... eu tinha esquecido como era estar vivo. Espero poder castigar meu corpo novamente. 

A alma que habita este corpo foi maculada há muito tempo. Ela se perdeu nas noites solitárias entre os sussurros incompreensíveis, crente de que seria aniquilada por suas alucinações constantes. Todas erguiam-se na escuridão em seu ponto cego e a perturbavam com falsos ataques. No fim, fora derrotada por sua insanidade e a aceitou como parte de si.

Aqueles sussurros retornam às vezes. Dizem coisas óbvias e zombam de mim, mas está tudo bem. Entendo seus motivos. Eu sou doente por querer ferir meu corpo apenas para vê-lo sangrar. Eu sou doente por aceitar a dor como cura para o vazio que reside meu peito. Sou doente por acreditar que somente sofrendo serei capaz de me sentir vivo.

Eu sei que preciso de ajuda, mas as vozes me ensinaram que é melhor dançar sem música sobre os cacos de vidro, na chuva. Me torturar é divertido porque dói, e quanto mais dor melhor. Significa que estou vivo, com você. 

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