Seu coração acelera diante a falha.
Você sobressalta perante a miséria.
Em seu silêncio, há hesitação;
Um suspiro do medo.
E corremos debaixo da chuva,
Você se desespera e fica em alerta:
O coração pula.
A decepção escorre por seu rosto.
Lágrimas de alguém que esperou muito,
E ainda espera um pouco mais
No canto mais escuro do cômodo;
Abandonado por tudo e por todos.
E nós sofremos em silêncio.
Oprimidos pelos opressores;
Somos nós que controlamos os fios.
Movemos as cordas, rimos do fracasso.
Deixamos alguns traços
E chamamos de legado.
Não há nada para lembrar o passado.
Não existe reflexo quando olhamos no espelho,
Apenas você e eu, encarando o vazio.
A inconsistência de nossa alma,
Um buraco sem fim
Que nos leva a decadência, rouba a decência
E arruína completamente nossa humanidade.
Não existe espelho, somente cacos.
Pedaços de uma alma corrompida;
Partes de um coração partido.
Somos apenas isso: migalhas no chão.
Insignificantes, meros grãos.
E os cacos não cortam ninguém,
Apenas nós mesmos;
Restos de memórias, de uma vida.
Uma visão da realidade que foi desmerecida.
Agora não tem nada além de estilhaços.
Fomos feitos de pedaços, cacos, machucados.
Partes da nossa alma que a refletem como realmente é;
O mundo solitário, a escuridão encantadora
E o vazio insaciável que espreita pontos cegos.
Somos nós contra o silêncio.
Somos nós a própria opressão.
Esmagados por medo, afogados na depressão.
Somos nós contra o reflexo no espelho;
Somos nosso próprio inimigo.
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