Você é minha Escuridão.
Havia estrelas marcando a trilha entre o mar cintilante. Os pés descalços causavam vibrações no espaço distorcido, a luminosidade oscilava conforme seus passos diminuiam o ritmo. Parou de caminhar. Permitiu a reverberação alcançar o limite inexistente para poder retornar à sua origem. Fechou os olhos brilhantes, o mundo tornou-se um breu repentinamente. Nada.
À distância ouviu risos tímidos, ecoando no silêncio de um coração quebrado e retornando ao dono antes de poder tocar outra alma solitária, girando em torno de uma única pessoa; a Escuridão estava presa em suas lembranças dolorosas de um amor platônico. Repetia para si mesma as palavras que ouvira escapar dos lábios da Luz. "Não há nada neste mundo."
Essas palavras escaparam de sua boca mais uma vez, no entanto, não chegaram a poder serem ouvidas. Existia essa parede que as separavam; um véu grosso que tornava a realidade em um mundo monocromático, oscilando entre preto e branco. A lua luminosa e o sol apaixonado queimavam a pele da Escuridão, portanto, a frieza costumava ficar do seu lado, dentro de uma bolha frágil de emoções silenciadas. Reprimiu a si mesma.
"Não há nada neste mundo que faça eu desistir de você." No fim, a Escuridão amou demais quem precisava de menos. A Luz culpou-se quando viu a silhueta dissipar com sua chegada. As vibrações no espaço distorcido chegaram até ela, tocaram-na, amaram seu corpo e a Escuridão, perdida nos próprios limites, deixou-se partir junto as reverberações.
"Não há nada neste mundo que faça eu desistir de você. Não há nada que eu queira mais do que você." O amor resguardado das consequências transbordou de seus olhos após entender que não havia volta. A Escuridão era apenas mais uma memória abandonada, um coração partido que fora mantido quebrado. Não havia volta.
A Luz chorou estrelas àquela noite.
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