Suas mãos eram quentes, um toque suave e acolhedor. Não era como qualquer outro. Através de pequenos gestos, provou que havia segurança e aceitação esperando em seus abraços; embora estes nunca fossem dados, somente oferecidos. Ele passeava pelos cabelos acastanhados com os dedos, afundando-os nas mechas e deslizando delicamente até escapar. Era tranquilizador, confundia a mente infantil com aquela fidelidade às palavras ditas para mantê-la calma.
Prometeu proteger aqueles olhos vermelhos e inchados das maldades espalhadas no mundo. Prometeu que manteria acesa a chama ardente que tremulava no brilho oscilante destes mesmos olhos, a fim de vê-los cintilar como as estrelas que admirava debaixo do azul intenso. Prometeu para aquela figura jovial, ainda que tivessem idades semelhantes, que traria de volta as peças desaparecidas que construíam seu passado; aquela história que tinha sido esquecida pelo próprio narrador, este que foi caçado até seu último segundo de liberdade. Prometeu devolver o que um dia lhe pertenceu.
Ele queria tanto ver a maneira como iria crescer. Era uma pena que tenham o mutilado antes mesmo de verificar se seu protegido tinha conseguido escapar. Gritou com o restante de seu fôlego para os olhos à distância, oculto nas sombras das árvores, devorados pela floresta silenciosa, palavras que marcaram a pele do outro de forma dolorosa:
— Não deixe a luz de seus olhos apagar. Eles foram feitos para contemplar o universo em sua nudez, e a vida chegar no auge de sua miséria.
"O que essas palavras significam?" Refletia conforme o eco repercutia dentro de seus ossos, antes de alcançar o âmago. "Há escapatória, um método para honrar a vida que foi tomada para resgatar a minha de meu inferno pessoal?" Se existia, ele não descobriu. Não importava o quanto ponderasse, as respostas não chegavam.
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