Ele está enlouquecendo, lentamente se transformando em seu demônio. Acabará entendendo quando chegar no inferno; saberá que não estarei aqui para sempre. Então, irá me matar afogado; afinal, um cadáver não pode fugir. Seu amor ardente queimará cada parte de mim. Irá me consumir até restar cinzas de minha rebeldia, e ele as jogará fora para não ter de lembrar desse momento traumatizante.
Está perdendo a cabeça para os rugidos estridentes. Aquela alma banhada em ingenuidade sucumbiu à sujeira, empoeirada em caos e manchada de tristeza, ela carece sua grandeza. E reduzida a uma vida sem luz, ele perambula pela escuridão. Caminha de quarto em quarto procurando perdão, chamando meu nome, lamentando o passado. Ele murmura enquanto dorme que estarei melhor morto, assim poderemos estar juntos. Pois seu amor é capaz de preencher meu vazio. Essa mentira reverbera seus ossos alto o suficiente para me tocar em meu túmulo; um buraco raso debaixo do piso.
Apenas observo seu sono pesado. Os olhos azuis carregados de arrependimentos, eles se recusam a abrir. Ele sabe que irá me encontrar bem ali: um eco do passado que insiste em retornar de novo e de novo para o assombrar.
Eu me afoguei nos seus oceanos; o azul profundo me puxou pelos pés obsessivamente para dentro da escuridão. Contemplei a grandeza de seu coração profano, me apaixonei novamente por esse lado sombrio, embora não pudesse lhe dizer isso. Quando o momento chegasse, eu olharia naqueles olhos; quando o momento chegasse, suas mãos envolveriam meu pescoço, cheias de culpa; quando o momento chegasse, estarei te chamando — por favor, me mate o quanto antes. Eu estarei te esperando.
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