Pular para o conteúdo principal

Nada

Me afogando, perdendo a consciência para a escuridão plantada em mim. Meu peito dói conforme seus passos se afastam. Você está indo embora também, não é? Pois não tenho forças para levantar e segurar seu pulso. Não consigo pedir para que retorne ao início, porque seu início é um pesadelo atípico diante de mim. Então, tudo o que o mundo me dispõe é a visão de sua silhueta dissipando na escuridão que fora plantada em ti. E eu observo. Eu olho atentamente, talvez esperando para que seja uma brincadeira. E não é? Não é uma brincadeira. Você já não está mais aqui. E eu não posso ir até aí. Além das minhas fronteiras, aquém das suas sombras.
Por um instante — um mísero instante —, pensei que você era tudo o que eu precisava. Que nada. Talvez realmente precisasse, talvez nunca tenha precisado. Era um apoio, um rolo, um tudo e mais um pouco. Também era nada. Mas um nada nosso, que compartilhamos no silêncio, na calada, e assistimos crescer. Agora é, de fato, nada. Um nada seu. E tem outro meu.
Também não há nada entre uma fronteira e outra. Mas fingimos que tem, porque precisava ter. Talvez precisávamos acreditar que tinha. Para ignorar o nada. A essência do nada. Das fronteiras, da escuridão e da chuva que nos consola. 
No entanto, não há nada. Apenas nada. Vários nada. É isso que nos resta. Nada.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Delicado

 Delicado como uma pétala de flor. Meu amor é jovem, delicado, quebradiço. Você não é frágil, mas delicado com as palavras. Elas me tocam, por dentro e por fora, fazem cócegas, me adoram e eu as adoro.  Um suspiro, talvez dois, então você vai embora. É tão delicado, suas mãos tocam meu rosto sem estarmos perto um do outro. Delicado, eu o beijo em meus pensamentos, sinto-o me envolver em abraços acolhedores, e a tempestade vai embora. Estamos sozinhos. Juntos , mas sozinhos. Delicados são meus sorrisos quando penso em você. O coração anseia, o rosto queima, eu sinto que posso morrer. Caio sobre nuvens e flutuo por céus escuros, vagando por um vasto mundo. Eu contemplo tudo: delicado . A vida é frágil, podendo ser rude, bruta, mas ainda é bela. Então dançamos juntos, a noite toda na passarela. Suas mãos exploram minha cintura, e eu o ataco com os lábios meus.  Um suspiro, talvez dois, e repetimos outra vez. Delicado; este mapa mental, tão bagunçado, desorganizado, levou-me...

Às vezes é só você.

  Às vezes tudo o que eu penso é sobre você. A parte engraçada dessa declaração é que eu sequer sei como deveria pensar em ti, pois não há um rosto ou uma voz na qual fantasiar. Então uso e abuso dos borrões que tomam meus pensamentos; a escuridão cravada em tua pele, arrasta para seu rosto e torna-o parte de si. Você faz parte das sombras que me perseguem, é um fantasma sem rosto que, mesmo me assustando, me apavorando, eu continuo desejando mais e mais a cada dia passado. É você, sou eu e a distância entre nós. Preenchi esse vazio com sonhos alucinantes. São sonhos, mas são tudo o que eu tenho. E é a única coisa que nos torna próximos, juntos, embora sejamos desconhecidos. Porque eu quero você tanto quanto desejo morrer por me iludir com vários nada. Você é nada, e eu sou sua escuridão. Ambos somos fantasmas, borrões, sombras, memórias sem rosto. E ainda assim, às vezes eu só penso em você. 

O inverno é o inferno

Se a beleza é relativa, o que garante que o sangue que faz meus olhos brilharem  — aquele que torna meu ser mais vivo  — contém uma beleza real? Mesmo que requintada, mesmo que eu a aprecie sozinho... Ela é verdadeiramente linda, como eu imagino? Posso estar cego. Eu sei  que estou cego. Não consigo entender o mundo, não o vejo da maneira que deveria. Sua essência e aquela que sinto ser sua essência são coisas diferentes, fora do meu controle. Eu não posso continuar brincando comigo. Terei que jogar a boneca fora. Devo enforcá-la, ou fazê-la ter uma overdose? Devo arremessar o brinquedo na rua ou de uma ponte? Como eu me livro dessa maldita boneca desgraçada , que todos preferem que esteja morta, pois é mais fácil esquecer a lidar com o problema? Mas a boneca nunca vai embora, não é? Eu sempre a mantenho guardada aqui por medo de precisar dela um dia. Mesmo odiando a boneca, mesmo odiando ela , mesmo eu me  odiando... ainda estou aqui. Se eu realmente quisesse, eu po...