Me afogando, perdendo a consciência para a escuridão plantada em mim. Meu peito dói conforme seus passos se afastam. Você está indo embora também, não é? Pois não tenho forças para levantar e segurar seu pulso. Não consigo pedir para que retorne ao início, porque seu início é um pesadelo atípico diante de mim. Então, tudo o que o mundo me dispõe é a visão de sua silhueta dissipando na escuridão que fora plantada em ti. E eu observo. Eu olho atentamente, talvez esperando para que seja uma brincadeira. E não é? Não é uma brincadeira. Você já não está mais aqui. E eu não posso ir até aí. Além das minhas fronteiras, aquém das suas sombras.
Por um instante — um mísero instante —, pensei que você era tudo o que eu precisava. Que nada. Talvez realmente precisasse, talvez nunca tenha precisado. Era um apoio, um rolo, um tudo e mais um pouco. Também era nada. Mas um nada nosso, que compartilhamos no silêncio, na calada, e assistimos crescer. Agora é, de fato, nada. Um nada seu. E tem outro meu.
Também não há nada entre uma fronteira e outra. Mas fingimos que tem, porque precisava ter. Talvez precisávamos acreditar que tinha. Para ignorar o nada. A essência do nada. Das fronteiras, da escuridão e da chuva que nos consola.
No entanto, não há nada. Apenas nada. Vários nada. É isso que nos resta. Nada.
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