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Escuridão e nada; somos nós. Sou eu.

É sempre assim. Eu leio textos, vago em memórias que nunca existiram, faço projeções de reflexos meus ou do que acredito ser meu. Então, eu lembro que nada disso é real. Recomeço contos, receio por dias o quanto essas queimaduras doem. Tudo isso me leva diretamente para um centro vazio fora das minhas fronteiras; um lugar misterioso e frio, banhado na solidão da própria essência enquanto mergulha nos pensamentos mais sombrios. De fato, um centro que desequilibra qualquer um que o pisar. E eu pisei. Respirei o ar frio, permiti rasgar meus pulmões, consumir meus ossos e levar meu corpo ao chão, então suspirei um hálito quente para quebrar o silêncio gritante. Ele ainda gritava quando deitei no chão; no centro do centro, um ponto ainda mais doloroso do que eu esperava. Era macio no primeiro instante, depois tornou-se mero concreto cheio de poros incompreensíveis. Eram brechas para mais água densa, o ar pesava e o frio já ficou insuportável, mas eu estava abaixo disso tudo. Fui sufocado antes de cair.
Para onde essas situações me levam? Por quem estive chorando? Qual é o seu nome, para que eu possa chamá-lo em vez de um vago "você"? Estou tão perto de seu abraço quanto jamais estive, entretanto, não há absolutamente nada quando abro meus olhos. Meu corpo está frio, embora haja ondas de calor envolvendo e devorando cada fibra minha. Sou mero nada e você, um vazio crescente em meu peito. Eu desconheço a pessoa que procuro aos prantos, desesperadamente balançando os braços no ar gelado enquanto perambulo no centro distante das minhas fronteiras.
Eu retornei para a escuridão; voltei a ser nada.

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