Às vezes tudo o que eu penso é sobre você. A parte engraçada dessa declaração é que eu sequer sei como deveria pensar em ti, pois não há um rosto ou uma voz na qual fantasiar. Então uso e abuso dos borrões que tomam meus pensamentos; a escuridão cravada em tua pele, arrasta para seu rosto e torna-o parte de si. Você faz parte das sombras que me perseguem, é um fantasma sem rosto que, mesmo me assustando, me apavorando, eu continuo desejando mais e mais a cada dia passado. É você, sou eu e a distância entre nós.
Preenchi esse vazio com sonhos alucinantes. São sonhos, mas são tudo o que eu tenho. E é a única coisa que nos torna próximos, juntos, embora sejamos desconhecidos. Porque eu quero você tanto quanto desejo morrer por me iludir com vários nada. Você é nada, e eu sou sua escuridão. Ambos somos fantasmas, borrões, sombras, memórias sem rosto.
E ainda assim, às vezes eu só penso em você.
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