Pular para o conteúdo principal

Às vezes é só você.

 Às vezes tudo o que eu penso é sobre você. A parte engraçada dessa declaração é que eu sequer sei como deveria pensar em ti, pois não há um rosto ou uma voz na qual fantasiar. Então uso e abuso dos borrões que tomam meus pensamentos; a escuridão cravada em tua pele, arrasta para seu rosto e torna-o parte de si. Você faz parte das sombras que me perseguem, é um fantasma sem rosto que, mesmo me assustando, me apavorando, eu continuo desejando mais e mais a cada dia passado. É você, sou eu e a distância entre nós.

Preenchi esse vazio com sonhos alucinantes. São sonhos, mas são tudo o que eu tenho. E é a única coisa que nos torna próximos, juntos, embora sejamos desconhecidos. Porque eu quero você tanto quanto desejo morrer por me iludir com vários nada. Você é nada, e eu sou sua escuridão. Ambos somos fantasmas, borrões, sombras, memórias sem rosto.

E ainda assim, às vezes eu só penso em você. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Delicado

 Delicado como uma pétala de flor. Meu amor é jovem, delicado, quebradiço. Você não é frágil, mas delicado com as palavras. Elas me tocam, por dentro e por fora, fazem cócegas, me adoram e eu as adoro.  Um suspiro, talvez dois, então você vai embora. É tão delicado, suas mãos tocam meu rosto sem estarmos perto um do outro. Delicado, eu o beijo em meus pensamentos, sinto-o me envolver em abraços acolhedores, e a tempestade vai embora. Estamos sozinhos. Juntos , mas sozinhos. Delicados são meus sorrisos quando penso em você. O coração anseia, o rosto queima, eu sinto que posso morrer. Caio sobre nuvens e flutuo por céus escuros, vagando por um vasto mundo. Eu contemplo tudo: delicado . A vida é frágil, podendo ser rude, bruta, mas ainda é bela. Então dançamos juntos, a noite toda na passarela. Suas mãos exploram minha cintura, e eu o ataco com os lábios meus.  Um suspiro, talvez dois, e repetimos outra vez. Delicado; este mapa mental, tão bagunçado, desorganizado, levou-me...

Eu ainda me lembro

Teria sido mais fácil esquecer, porém as lembranças se arrastam na mente, rasgando caminhos nas minhas retinas para que eu jamais as deixe de lado. E seria mais fácil esquecer, mesmo que guardasse lágrimas em meu olhar generoso, afundando nas palavras daquela carta tão calorosa e ardente, que me acolhe e comove. E seria mais fácil esquecer, com sentimentos à flor da pele, raspando emoções como decorações em nossos sentidos e toques. Seria mais fácil esquecer da nossa dança majestosa, a distância que nos separava em um romance clichê tarde da noite, repercutindo em sons estrondosos, ainda que silenciosos o bastante para que se arraste por debaixo da minha pele. Eram sonhos se repetindo de novo e de novo, me chamando de encontro ao teu corpo, um encanto que reflete nos olhos e nos interligam; tão belamente nos abraça em uma benção divina, prometendo a felicidade que estive buscando na pureza desse vazio denso. É solitário, agora que penso sobre isso. Meus passos são leves nesse caminho d...

Dias empoeirados

Suas lágrimas não significavam nada além de dor. Era um sofrimento contínuo resguardado no fundo do peito, soterrado por memórias tortuosas e dias apagados pelo tempo, porém não foram esquecidos. Essa leve camada de poeira indicava a visita interrompida, mas o vazio crescente não sentia falta do som atordoante dos risos tímidos e gargalhadas escandalosas.  O tempo fez o que devia ser feito. Empurrou para longe a dor, porém não agiu como anestésico. O tempo não cura, e ele pôde entender isto anos depois quando era tarde demais. Aquela camada grossa de poeira não foi suficiente para fazê-lo esquecer.