Pular para o conteúdo principal

Perdido em Você

Na ponta de meus dedos eu jurava sentir sua pele, embora meus olhos não encontrassem nada além de escuridão diante de mim. O calor que me envolvia era desconhecido, eu poderia buscar por todos os cantos em todos os corações que conheço, nenhum deles poderia me alcançar da mesma forma que você fez. 

Então, sozinho em meu quarto, me perco nos sonhos mais íntimos e imploro para podermos nos reencontrar — seja no mundo imaginário dos sonhos, seja no mundo real. Eu apenas quero poder sentir seu calor mais uma vez e aproveitá-lo como se fosse a última. Esqueceria qualquer outro pensamento somente para focar em você; seu corpo, sua mente e sua alma resplandecente. Tudo o que te pertence me hipnotiza, apesar de eu não dizer com frequência tanto quanto gostaria. Suas palavras formam fios e eles se enroscam entre si, depois vagarosamente me prendem a sentimentos que eu jurava que nunca iria nutrir por ninguém. Logo estou perdido em amor outra vez. 

Fecho meus olhos apenas para encontrar os seus. Busco no silêncio do meu quarto o som da sua voz. Procuro no vazio da minha cama o calor do seu corpo. E enquanto estou sozinho, sei que não poderei ter você, mas desejo profundamente um dia acordar e esse sonho se tornar real. Me perderia, certamente, e te abraçaria o mais forte que posso. Cairia de joelhos para entregar o coração que te prometi; pois tempos atrás vivíamos numa tragédia constante, portanto, no meu peito, havia um buraco sombrio que crescia com meu silêncio. No entanto, tempos vão e tempos vêm, te encontrei entre eles e cá estamos mais uma vez: estou ajoelhado, lhe entregando meu coração como fora prometido e com ele, todo o meu ser. Tudo isso apenas para você. Porque não há nada mais lindo do que seu sorriso e para vê-lo, eu faria qualquer coisa.

Envergonhadamente exponho pensamentos inapropriados, mas sem contar detalhes que, até para mim, são tão embaçados. Porque desejo viver esse momento e minha mente não consegue processar algo tão vulgar, a vergonha me esmaga antes mesmo de eu começar e, me achando errado, continuo tentando para ver até onde posso chegar. Meus passos são tão lentos e transmitem receio, tateio o ar como se não pudesse enxergar uma palma a minha frente, porém há você e temo que seja outro sonho tolo onde posso finalmente te tocar, para quando o fazer, ter de acordar.

São sonhos. Eu me perco neles. Fazer qualquer coisa com você seria outro momento de perdição, e eu nunca quis tanto estar perdido.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Delicado

 Delicado como uma pétala de flor. Meu amor é jovem, delicado, quebradiço. Você não é frágil, mas delicado com as palavras. Elas me tocam, por dentro e por fora, fazem cócegas, me adoram e eu as adoro.  Um suspiro, talvez dois, então você vai embora. É tão delicado, suas mãos tocam meu rosto sem estarmos perto um do outro. Delicado, eu o beijo em meus pensamentos, sinto-o me envolver em abraços acolhedores, e a tempestade vai embora. Estamos sozinhos. Juntos , mas sozinhos. Delicados são meus sorrisos quando penso em você. O coração anseia, o rosto queima, eu sinto que posso morrer. Caio sobre nuvens e flutuo por céus escuros, vagando por um vasto mundo. Eu contemplo tudo: delicado . A vida é frágil, podendo ser rude, bruta, mas ainda é bela. Então dançamos juntos, a noite toda na passarela. Suas mãos exploram minha cintura, e eu o ataco com os lábios meus.  Um suspiro, talvez dois, e repetimos outra vez. Delicado; este mapa mental, tão bagunçado, desorganizado, levou-me...

Eu ainda me lembro

Teria sido mais fácil esquecer, porém as lembranças se arrastam na mente, rasgando caminhos nas minhas retinas para que eu jamais as deixe de lado. E seria mais fácil esquecer, mesmo que guardasse lágrimas em meu olhar generoso, afundando nas palavras daquela carta tão calorosa e ardente, que me acolhe e comove. E seria mais fácil esquecer, com sentimentos à flor da pele, raspando emoções como decorações em nossos sentidos e toques. Seria mais fácil esquecer da nossa dança majestosa, a distância que nos separava em um romance clichê tarde da noite, repercutindo em sons estrondosos, ainda que silenciosos o bastante para que se arraste por debaixo da minha pele. Eram sonhos se repetindo de novo e de novo, me chamando de encontro ao teu corpo, um encanto que reflete nos olhos e nos interligam; tão belamente nos abraça em uma benção divina, prometendo a felicidade que estive buscando na pureza desse vazio denso. É solitário, agora que penso sobre isso. Meus passos são leves nesse caminho d...

Dias empoeirados

Suas lágrimas não significavam nada além de dor. Era um sofrimento contínuo resguardado no fundo do peito, soterrado por memórias tortuosas e dias apagados pelo tempo, porém não foram esquecidos. Essa leve camada de poeira indicava a visita interrompida, mas o vazio crescente não sentia falta do som atordoante dos risos tímidos e gargalhadas escandalosas.  O tempo fez o que devia ser feito. Empurrou para longe a dor, porém não agiu como anestésico. O tempo não cura, e ele pôde entender isto anos depois quando era tarde demais. Aquela camada grossa de poeira não foi suficiente para fazê-lo esquecer.